OS QUILOMBOLAS PRECISAM SONHAR COM LIBERDADE

 

Como legado de sua história, o Brasil carrega uma grande mancha de vergonha. Por 388 anos os africanos foram explorados, maltratados e escravizados dentro do nosso território, deles foi tirado os direitos comuns entre os demais cidadãos.

Durante esse período, muitos escravos conseguiram fugir de seus senhores, largando seus trabalhos nos engenhos de cana-de-açúcar e fazendas, e se refugiando em pequenos vilarejos. Aos poucos o número de escravos que conseguiam fugir foi aumentando, proporcionalmente aumentava o tamanho desses vilarejos, que mais tarde passaram a ser chamados de Comunidades Quilombolas.

Mesmo com o fim da escravidão, mais de duas mil comunidades quilombolas espalhadas pelo território brasileiro mantêm-se vivas e atuantes, lutando pelo direito de propriedade de suas terras, consagrado pela Constituição Federal desde 1988.

“Vítimas da histórica concentração de terras no Brasil, os quilombolas resistem para garantir a sua autonomia. Para esse povo, a terra significa mais que uma simples área para produção. Vai além de fins econômicos, representa identidade, cultura, bens materiais e imateriais e relações sociais. Portanto, terra e quilombo caminham juntos.” CEPPIR, Organização de Serviço Social do Rio de Janeiro.

O estado do Espírito Santo tem 57 comunidades quilombolas espalhadas por seu território, dessas, 3 se localizam no extremo sul, são elas: Boa Esperança, Cacimbinha e Graúna.

Entendendo a necessidade de apresentar Jesus para esse povo, Missões Estaduais incluiu os Quilombolas dentro dos grupos étnicos que atende, fundando em 2016 o primeiro trabalho missionário numa comunidade quilombola.

Missões Estaduais em parceria com a Igreja Batista Nova Esperança e Igreja Batista 15 de Novembro, iniciou um trabalho evangelístico na comunidade quilombola de Boa Esperança, em Marataízes,  a pedido dos próprios moradores.

“Os próprios moradores nos pediam para que houvesse um trabalho batista na região, inclusive o espaço onde estamos nos reunindo foi doado por um dos moradores,” conta o pastor Júlio do Espírito Santo, responsável pelo projeto.

O seminarista Eliezer Quinto, enviado pela Igreja Batista Nova Esperança, é quem tem trabalhado diretamente nesse projeto, realizando visitas evangelísticas e conduzindo os cultos.

Em pouco tempo de trabalho, 3 pessoas já foram batizadas, e várias outras já estão se preparando para o batismo.

O projeto de Missões Estaduais é alcançar os demais quilombos do estado do Espírito Santo, e assim compartilhar de Jesus para esse povo.

“A ideia é que esse seja um projeto piloto, e que a partir dele possamos chegar em outras comunidades quilombolas. Essa é uma oportunidade única de apresentar Jesus para pessoas que dificilmente ouviriam falar sobre o amor Dele,” destaca o Pastor Keiny Moreira, coordenador de Missões Estaduais.

O Ide de Jesus foi para que alcançássemos toda criatura. Os povos étnicos precisam conhecer Cristo. Os índios, pomeranos e quilombolas precisam voltar a sonhar.